Gianni Infantino

Infantino é acusado de receber pagamentos extras não revelados

Infantino é acusado de receber pagamentos extras não revelados

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, teria recebido US$ 1,76 milhão (cerca de R$ 8,82 milhões) em pagamentos não divulgados pela entidade em 2024, segundo investigação do jornal britânico The Times. O valor, apurado a partir de documentos fiscais entregues à Receita Federal dos Estados Unidos, superaria o salário e os bônus oficiais informados pela própria Fifa em seu balanço anual.

O que apontam os documentos

De acordo com a reportagem do veículo britânico, parte dos registros entregues ao órgão americano não constava no documento final declarado. Os papéis indicam que o repasse partiu da FWC2026 US Inc, empresa criada especificamente para a gestão operacional e financeira da Copa do Mundo de 2026, que será disputada em Estados Unidos, México e Canadá. Essa quantia, segundo a apuração, não aparece nos relatórios anuais que a Fifa publica há uma década, documentos nos quais a entidade afirma se comprometer a divulgar de forma transparente os salários do presidente e do secretário-geral.

Ainda segundo as fontes ouvidas pelo The Times, pagamentos semelhantes - ou até superiores - teriam sido feitos também em 2025 e estariam previstos para 2026. Um valor específico, de aproximadamente US$ 626.229 (cerca de R$ 3,1 milhões), teria sido classificado como "outros pagamentos sujeitos à declaração" e, de acordo com a investigação, teria sido usado para custear despesas de uma residência de luxo em Miami Beach.

A remuneração oficial declarada pela Fifa

O balanço anual da entidade registra que Infantino recebeu 4,27 milhões de francos suíços em 2024, cerca de R$ 26 milhões na cotação atual. Esse é o valor que a Fifa apresenta publicamente como a remuneração oficial do presidente, decidida, segundo a própria instituição, por um subcomitê de compensação independente. A diferença entre esse montante e os pagamentos identificados pela investigação britânica é o cerne da controvérsia: se confirmados, os valores extras representariam uma fonte de renda paralela não contemplada nos relatórios de transparência que a Fifa divulga desde 2015.

A resposta da Fifa

Procurada pela reportagem do Lance!, a Fifa negou qualquer irregularidade. Em nota oficial, a entidade afirmou que "não paga um segundo salário ao presidente" e que cumpre "todas as exigências de prestação de contas relativas à remuneração". Segundo o texto, a remuneração anual de Infantino, assim como outros benefícios contratuais, é decidida pelo Subcomitê de Remuneração independente.

A entidade rejeitou de forma categórica as alegações de que tenha deixado de divulgar informações financeiras ou violado seus próprios estatutos, destacando que suas contas são auditadas de forma independente e que todas as declarações estão em conformidade com as normas tributárias da Suíça, dos Estados Unidos e de outros países. A Fifa também afirmou estar "totalmente focada" na reunião do Conselho da Fifa marcada para esta quinta-feira, citando o que classificou como a Copa do Mundo "de maior sucesso da história" como pano de fundo das discussões.

Por que isso importa

O episódio reacende o debate sobre governança e transparência financeira no futebol mundial, um tema recorrente desde as reformas implementadas pela Fifa após os escândalos de corrupção que atingiram a entidade na década passada. Qualquer questionamento sobre a remuneração do presidente tende a repercutir entre federações filiadas, patrocinadores e torcedores, especialmente às vésperas de um Mundial que já rendeu receitas recordes à instituição. O caso segue sob apuração, e novos desdobramentos podem surgir conforme documentos adicionais sejam analisados.