A Mercedes confirmou que chegou a estudar internamente uma versão própria da chamada asa Macarena, o dispositivo móvel que virou febre entre as equipes de ponta da Fórmula 1 nesta temporada, muito antes de a peça aparecer nos carros de Ferrari, Red Bull e McLaren. Segundo o diretor técnico adjunto Simone Resta, a equipe analisou o conceito em detalhe há mais de um ano, mas optou por não seguir adiante com o projeto.
Um conceito que virou tendência no grid
A asa rotativa, cuja aba principal gira quando o chamado modo de reta é ativado, tornou-se uma das soluções técnicas mais comentadas da atual geração de regulamentos aerodinâmicos. A Ferrari foi a pioneira a colocá-la em pista, o que rendeu o apelido popular de "asa Macarena", em referência ao movimento da peça. A Red Bull seguiu o mesmo caminho e apresentou sua própria interpretação do sistema em Miami, enquanto a McLaren já testou um modelo semelhante e admite que deve utilizá-lo em algum momento da temporada.
Com isso, a Mercedes passou a ser a única entre as quatro principais equipes do grid sem um projeto desse tipo em operação. Resta explicou o motivo durante participação no programa Nu Silver Arrows Radio Show, revelando um detalhe até então não divulgado publicamente pela equipe.
Por que a Mercedes recuou no projeto
"Provavelmente vou dizer algo que ainda não compartilhamos antes: tínhamos esse tipo de asa em nossa prancheta de desenho há pouco mais de um ano", afirmou Resta. Segundo ele, a equipe avaliou o conceito com profundidade e reconhece o ganho que ele proporciona na redução de arrasto em reta, mas identificou uma contrapartida relevante: a perda de downforce durante todo o período em que o carro opera com o Open Straight Mode, o sistema que libera a aba da asa.
"É algo que avaliamos e nunca sentimos ser o melhor compromisso no geral, que valesse investir em termos de desenvolvimento e também de fabricação de componentes", disse o engenheiro italiano. Ele deixou a porta aberta para o futuro, no entanto: "Isso não significa que a mesma conclusão seja válida para sempre e podemos rever nossa visão e nossa posição daqui para frente. Somos humildes, verificando todas as soluções que existem, avaliando se há algo interessante para aproveitarmos e mantendo esse processo daqui para frente".
Liderança consolidada e atualização dividida entre os pilotos
A ausência da peça não impediu a Mercedes de manter a liderança do campeonato de construtores, com 578 pontos, 134 à frente da Ferrari. Entre os pilotos, Kimi Antonelli aparece 102 pontos à frente do companheiro George Russell, reflexo de uma temporada de consistência da equipe germânica mesmo sem adotar a solução que rivais diretos já colocaram em prática.
O foco da equipe agora está em uniformizar uma atualização recente, que foi dividida entre os dois carros no GP de Singapura: Antonelli correu com a novidade, enquanto Russell seguiu com a versão anterior do pacote. A Mercedes já confirmou que os componentes atualizados estarão disponíveis para ambos os pilotos no GP dos Estados Unidos, no próximo fim de semana, em mais um passo da disputa técnica que segue movimentando os bastidores da temporada.